O Rio não é uma cidade-museu. Tem museus — museus sérios — e chegaremos a eles. Mas a cidade que o visitante de primeira viagem veio conhecer é uma cidade que acontece do lado de fora, uma cidade de montanhas e água, de ruas e estádios, do longo ritual do pôr do sol e do longo ritual do jantar que vem depois. As coisas para fazer no Rio são quase todas, em algum nível, coisas para fazer ao ar livre. As que não são, são coisas para fazer à noite. As duas categorias terminam no mesmo quiosque, mais cedo ou mais tarde, com uma cerveja gelada e um prato de alguma coisa frita, e as duas pertencem a uma cidade que entende a hospitalidade como arquitetura, não como indústria.
O que segue é uma lista prática — não um checklist, não um ranking, não uma lista de listas. Está organizada por tipo de dia — o dia de cume, o dia de praia, o dia de estádio, a noite de samba, a tarde de museu, o fim de semana fora da cidade — porque a pergunta útil, quando se tem uma semana no Rio, não é "o que devo ver", e sim "como devo passar a quinta-feira". Em cada categoria, três ou quatro experiências, cada uma com as notas práticas curtas de que você precisa para reservá-la.
I. Um dia de cume
Quatro picos na cidade recompensam a subida, e cada um enquadra a baía de um ângulo diferente. Um cume por dia é o ritmo civilizado; dois são possíveis se você sair cedo e descer no último bondinho.
O Corcovado e o Cristo Redentor. A estátua tem trinta metros de altura e está sobre o cume de setecentos e dez metros do Corcovado, no centro geográfico da cidade. Três maneiras de subir. O trem de cremalheira que parte do Cosme Velho, safra de 1884, pintura vermelha e creme, subindo pelo Parque Nacional da Tijuca numa ferrovia de cremalheira em via única, é a experiência que recomendo — a viagem é o ingresso. A van oficial das Paineiras é mais rápida e menos atmosférica. O carro particular com credencial autorizada, que nosso concierge reserva, é a opção de luxo — da porta ao cume em quarenta minutos, sem fila. Compre o bilhete do trem online em tremdocorcovado.com.br; o primeiro trem sai às 8h e é o que vale tomar. Reserve duas horas e meia para ida e volta.
O Pão de Açúcar e o bondinho. O teleférico que parte da Praia Vermelha, na Urca, sobe em duas etapas — primeiro até o Morro da Urca, depois até o Pão de Açúcar propriamente dito — e é o melhor exemplar de turismo de engenharia do Rio. O primeiro carro foi instalado em 1912; os atuais, de fabricação austríaca, deslizam em silêncio num circuito único. Vá ao pôr do sol: o primeiro carro da subida deve ser o das 17h no verão, 16h30 no inverno. Leve um casaco leve. A plataforma no cume tem um bar de caipirinha desproporcionalmente bom; sente-se de costas para o guarda-corpo, de frente para a baía. O último carro desce às 20h30.
O voo de asa-delta da Pedra Bonita. A laje de pedra acima de São Conrado — 510 metros, rampa de cinco minutos, um voo de dez a quinze minutos planando sobre a Barra até a faixa de pouso da Praia do Pepino — é o melhor gasto de cento e oitenta dólares no Rio. Os pilotos são profissionais de carreira com certificação da FAI; as aeronaves passam por inspeção anual; o histórico de segurança é impecável. Você não vai pilotar — vai sentar numa cadeirinha de voo duplo, com os pés nos estribos, e aproveitar o passeio. Reserve pela Just Fly ou pela Delta Flight; os voos no meio da manhã são os mais confiáveis.
A Pedra da Gávea. O monólito costeiro mais alto do mundo, com 844 metros, e a trilha da viagem para visitantes em boa forma. Quatro horas entre ida e volta; um trecho vertical decisivo perto do topo (uma escalada com auxílio de corda chamada Carrasqueira), que um bom guia saberá proteger. Comece às 6h30 do início da trilha, na entrada do Parque Nacional da Tijuca pela Estrada Sorimã. Guia é de praxe e não custa caro; vá com a Trilha do Rio ou com uma indicação do concierge. A vista lá de cima — a Zona Sul inteira, o Atlântico correndo para o leste, o Pão de Açúcar pequeno no horizonte — é a melhor fotografia da viagem.
O bondinho, não a escalada. (Existe uma escalada.)
Você pode subir o Pão de Açúcar a pé. O Costão do Pão de Açúcar é uma via de escalada esportiva de 200 metros pela face sul da montanha, graduada 5.7. É um dia sério para um escalador de experiência moderada, e um guia é essencial. Fora isso, pegue o bondinho. A montanha não julga nenhuma das duas escolhas.
II. O estádio e a noite de samba
O barulho do Rio não é feito por nenhum prédio isolado — os lugares mais barulhentos da cidade são a praia no Réveillon, o sambódromo no Carnaval, a rua num domingo de futebol. Mas o estádio e a casa de samba, juntos, carregam o ritmo da cidade numa semana comum.
O Maracanã. A catedral do futebol brasileiro, construída para a Copa do Mundo de 1950, reconstruída para a edição de 2014, e o maior estádio da América do Sul, com 78 mil lugares. Duas rivalidades locais o enchem: Flamengo (o clube popular, vermelho e preto) contra Fluminense (o clube patrício, verde e grená); Flamengo contra Vasco da Gama (o clube da imigração portuguesa, branco com a faixa diagonal preta); Flamengo contra Botafogo (rivais de vizinhança, a camisa da estrela solitária). Qualquer jogo do Flamengo em casa é um acontecimento; um Fla-Flu — Flamengo contra Fluminense — é uma peregrinação. Ingressos pelo ingresso.com ou pelo concierge; sente-se no setor de Cadeiras Especiais (anel intermediário, atrás do gol do time da casa) para ouvir a torcida cantar, e vista cores neutras, a menos que já tenha escolhido um lado.
Rio Scenarium. A avó das casas de samba e choro da Lapa — três andares de antiguidades e música ao vivo na Rua do Lavradio. A pista de dança fica no térreo; o segundo andar tem mesinhas com vista para o palco; o terceiro é para os casais que desistiram de dançar e passaram a assistir. Chegue às 22h30; a banda começa às 23h; você não vai embora antes das 2h. Chegue com fome — a cozinha funciona até tarde — e com uma roupa em que possa suar. O Rio Scenarium é turístico no sentido de que turistas vão; é também, genuinamente, um dos melhores salões de samba da cidade.
Pedra do Sal, segunda-feira à noite. Um pequeno largo no bairro da Saúde — a beira do antigo porto, o bairro onde o samba no Rio foi, historicamente, inventado — recebe uma roda de samba gratuita, ao ar livre, toda segunda-feira, de cerca de 20h até bem depois da meia-noite. A música é impecável — escalações rotativas de alguns dos melhores percussionistas da cidade; o público é metade carioca, metade turista bem informado; a cerveja é vendida em isopores, a comida em um punhado de carrinhos. Só dinheiro. Vá e volte de Uber; o bairro não é de andar a pé depois que a roda termina.
Carioca da Gema. Outra instituição da Lapa, menor e mais intimista que o Rio Scenarium, e o salão que prefiro quando o grupo tem quatro pessoas ou menos. Mesas para jantar (servem uma feijoada respeitável); banda ao vivo a partir das 22h; não há exatamente uma pista de dança, mas há espaço de sobra para se mexer.
III. Uma tarde de museu
O Rio tem quatro museus aos quais mando visitantes. Qualquer um deles preenche uma boa tarde de três horas entre o almoço e a hora carioca.
Museu do Amanhã. O museu na antiga orla do porto, projetado por Santiago Calatrava, inaugurado em 2015 para as Olimpíadas. Um museu de ciência e futuro construído em torno de um único arco narrativo: passado, presente e futuro, dos humanos e do planeta. O prédio em si — uma espinha baixa de concreto branco estendida ao longo da Praça Mauá, com um espelho d'água correndo por todo o seu comprimento — é o ponto alto arquitetônico da viagem. Combine com o vizinho Museu de Arte do Rio (MAR) para uma tarde inteira na orla.
Instituto Moreira Salles. Uma fundação de arte numa rua residencial da Gávea, instalada na antiga residência do banqueiro Walther Moreira Salles — uma casa modernista, baixa e horizontal, com jardins de Roberto Burle Marx. O IMS guarda a melhor coleção de fotografia do país, exposições rotativas de fotógrafos brasileiros e um pequeno café e uma livraria que por si sós já valem o trajeto. O jardim é, muito discretamente, um dos três grandes jardins do Rio.
Museu Nacional de Belas Artes. O museu nacional de belas-artes, no Centro — forte em pintura de paisagem brasileira do século XIX e com um surpreendente núcleo de obra acadêmica francesa comprada durante o Império. Um palácio do século XVIII, bem restaurado, nunca lotado. Duas horas.
Parque Lage. Não é exatamente um museu, mas uma escola de arte com galerias e um café, aberta ao público — o palacete ao pé do Corcovado, com o pátio central da piscina em torno do qual todo fotógrafo monta o seu roteiro. Entrada gratuita; o café no térreo faz um bom brunch aos domingos; as galerias do andar de cima alternam mostras de alunos e de convidados. Meio dia que combina com um almoço no Jardim Botânico.
“A pergunta útil não é o que devo ver. A pergunta útil é como devo passar a quinta-feira.”
IV. Trilhas e a floresta
A cidade tem uma floresta tropical dentro dela — o Parque Nacional da Tijuca, 39,5 quilômetros quadrados de Mata Atlântica reflorestada, correndo do pico do Corcovado, a leste, até a Pedra da Gávea, a oeste. É a maior floresta urbana do mundo e o único parque nacional dentro de uma grande metrópole. Três trilhas lá dentro valem calçar o tênis.
O Pico da Tijuca é o ponto mais alto do parque, com 1.022 metros — duas horas entre ida e volta a partir do início da trilha, na área de piquenique do Bom Retiro, com um trecho final curto com auxílio de cordas e uma vista de 360 graus da plataforma no cume. Vá cedo, e leve um guia para o trajeto de carro até a trilha — a estrada de acesso é uma sequência de curvas em zigue-zague que os taxistas da cidade nem sempre conhecem.
A trilha do Dois Irmãos, na Zona Sul, sobe ao mais plano dos dois picos que fecham a praia de Ipanema pelo oeste. O início da trilha fica dentro da comunidade do Vidigal, na Avenida João Goulart. Uma hora para subir, uma para descer, e a melhor vista direta de Ipanema na cidade. Atenção: o Vidigal é uma comunidade que a prefeitura considera "pacificada", mas não "segura" no sentido convencional; vá com guia, vá no meio da manhã e combine tudo por meio de uma empresa registrada (a Vidigal Adventures é a mais estabelecida).
A Vista Chinesa. Um pavilhão clássico — a Vista Chinesa — erguido na remodelação de 1903 do parque da Tijuca, numa crista que olha diretamente para a Lagoa, Ipanema e o Dois Irmãos. Dez minutos de caminhada do estacionamento, nem chega a ser trilha. O mirante mais subestimado do Rio. Vá de carro ao pôr do sol; pouquíssimos visitantes o descobrem.
V. Feiras, e uma longa caminhada
A Feira Hippie de Ipanema, todo domingo na Praça General Osório, é a feira de domingo de manhã da cidade — arte, couro, tecidos, barracas de comida servindo tapioca e acarajé, músicos de rua e uma circunferência de cafés lotados dos moradores que desceram a pé do Leblon. Chegue às dez; fique para a tapioca; termine num restaurante da Rua Vinícius de Moraes.
A Feira de São Cristóvão. Um mercado coberto permanente na Zona Norte, dedicado à comida e à música do Nordeste do país. Aberta de sexta a domingo, a feira é um milhar de barracas de comida regional (carne de sol, baião de dois, acarajé), forró ao vivo nas noites e uma multidão de nordestinos com saudade de casa fazendo dali a sua noite de fim de semana. Uma experiência carioca autêntica, barulhenta e inteiramente não turística. Vá e volte de Uber.
A volta da Lagoa. A lagoa entre Ipanema e o Jardim Botânico — a Lagoa Rodrigo de Freitas — tem uma pista de caminhada e corrida de 7,2 quilômetros em todo o seu perímetro. Favorita dos cariocas ao amanhecer e no fim da tarde. Caminhe; corra; pedale numa bicicleta alugada numa das estações ao longo do caminho. Pare no quiosque do Parque dos Patins, no lado sul, para uma caipirinha de maracujá às quatro da tarde.
VI. Um dia na água
O Rio é definido pela Baía de Guanabara, e o visitante que passa uma semana aqui sem cruzar a água perdeu metade da cidade.
Um dia de iate na baía. Um veleiro fretado na Marina da Glória — meio dia ou dia inteiro — sai pela baía até as enseadas de banho da Ilha de Cotunduba e da Ilha de Paquetá, com almoço a bordo ou uma parada de praia na Praia de Adão e Eva, do lado de Niterói. Várias casas fretam. Nosso concierge reserva com um pequeno operador familiar, dono de um Beneteau de 42 pés bem cuidado; pergunte.
A barca de Niterói. A travessia de vinte minutos, da Praça XV, no Centro, até a Praça Araribóia, em Niterói, custa o preço de um cafezinho. A vista da volta — o Rio inteiro visto do lado de Niterói, o Pão de Açúcar emoldurando a esquerda da imagem, o porto antigo no meio, o cume do Corcovado como um ponto lá no alto — é a melhor foto única do horizonte da cidade. Vá; sente-se no convés superior; volte; almoce no MAC, o museu projetado por Niemeyer, do lado de lá.
Caiaque na Urca. A baía ao redor da base do Pão de Açúcar é uma zona protegida de banho e remo. Um aluguel de caiaque de duas horas saindo da Praia Vermelha — de manhã cedo, antes de o vento levantar — é uma hora deliciosa de remada sob as duas montanhas, com a linha do bondinho lá em cima. Nada perigoso; uma remada de iniciante. Disponível pelo iate clube ou com um instrutor particular; pergunte.
VII. Os dois grandes eventos
Duas datas do calendário do Rio não são "coisas para fazer" no sentido cotidiano. São os sistemas climáticos cívicos em torno dos quais o resto do ano da cidade se organiza.
O Carnaval (cinco dias antes da Quarta-feira de Cinzas, em geral fevereiro ou início de março) é a festa que define o país, não apenas a cidade. No Rio, consiste em dois eventos distintos: o desfile no Sambódromo, onde as doze escolas de samba do grupo especial desfilam em duas noites de competição, e os blocos — as festas de rua, centenas delas, tomando os bairros da Zona Sul e do Centro do amanhecer até a noite. O ingresso para o Sambódromo (setores 9, 10 e 11 têm as melhores vistas) se reserva com um ano de antecedência; os blocos são gratuitos e não exigem planejamento, apenas tolerância a multidões, ao sol e a um dia muito, muito longo.
O Réveillon — a virada do ano em Copacabana — é a maior celebração de Ano-Novo das Américas. Dois milhões de pessoas na areia; uma queima de fogos de 15 a 20 minutos disparada de balsas ao largo; a tradição de vestir branco e pular sete ondas à meia-noite, um pedido para cada onda. Os hotéis de frente para a praia lotam com um ano de antecedência e cobram na mesma medida. Se você puder estar no Rio em 31 de dezembro, esteja no Rio em 31 de dezembro — é, sem ambiguidade, a melhor noite do ano na cidade.
Uma lista de coisas para fazer numa grande cidade sempre estará errada por omissão. Esta também estará. O que ela acerta, espero, é a textura da cidade — que suas melhores experiências acontecem do lado de fora e sem pressa, que seus museus são bons mas não são o ponto, que suas noites começam tarde e terminam mais tarde ainda, e que qualquer roteiro de uma semana deve crescer para fora a partir de um cume, uma praia e uma casa de samba, nessa ordem.