A Pedra da Gávea, o monólito de granito que preside o Joá e as praias do oeste do Rio.
Guia do Joá · Os moradores

Quem mora no Joá

A imprensa brasileira o chama de Beverly Hills carioca. Eis quem de fato está no morro — e por que escolheram o único endereço que as câmeras não alcançam.

Há uma expressão que acompanha o Joá em tudo o que se escreve sobre ele — a Beverly Hills carioca. Ela aparece no Metrópoles e no Terra, nos anúncios de imóveis, nas legendas das imagens de drone. É uma expressão preguiçosa e, por uma vez, precisa. O Joá é uma encosta de grandes casas particulares, escondidas na mata, que abriga a maior concentração de riqueza da cidade; e, como a original, seu apelo não está nas casas, mas na discrição. As pessoas se mudam para cá para não serem encontradas.

Isso torna uma página como esta um pouco delicada. Não estamos no negócio de publicar endereços, e o prazer do Joá — para quem vive lá — é justamente o fato de que ninguém está olhando. Portanto, o que segue é apenas o que a imprensa brasileira já noticiou, muitas vezes, e apenas a parte que explica o bairro, e não as pessoas. A lista abaixo é real. A razão de estarem todos na mesma crista é a história mais interessante.

Pôr do sol na Pedra Bonita — o longo arco da Barra da Tijuca se estendendo a oeste do Joá.
A vista pela qual se compra o morro — o litoral se abrindo para oeste, em direção à Barra, visto das alturas do Joá.

A lista, segundo a imprensa

Estes são os moradores que os veículos brasileiros situam no Joá, com a ressalva que acompanha qualquer endereço de celebridade: noticiado, ampla e repetidamente, mas sem constar de registro público. Mantivemos cada verbete restrito ao que a cobertura sustenta, no tempo verbal que os fatos exigem.

Luciano Huck & Angélica Apresentadores de televisão

O casal mais assistido da TV brasileira mantém uma propriedade cercada de mata no Joá — segundo a imprensa, cerca de 1.500 m² de casa em um terreno de 4.000 m², com vista direta para a Pedra da Gávea, em projeto atribuído aos arquitetos Bernardes e Jacobsen.

Cauã Reymond Ator

O ator da Globo vive no Joá desde 2014 — uma casa encravada na mata, com o oceano de um lado e a Gávea do outro. Em 2026, ele ainda postava de lá.

Danielle Winits Atriz

Uma casa no morro com vista para o mar desde 2021, movida em parte a energia solar — o nome que abre a maioria das listas de “quem mora no Joá” da imprensa brasileira.

Márcio Garcia Ator e apresentador

Sua mansão ao pé da Pedra da Gávea — cerca de 6.000 m², com sete suítes, cinema particular e paisagismo de Burle Marx — foi posta à venda em 2024 por, segundo a imprensa, R$ 250 milhões, valor que os veículos chamaram de o mais alto já pedido por uma casa no Brasil. É um preço de anúncio, bastante debatido, e a casa não havia sido vendida.

Carolina Dieckmann Atriz

Uma casa com fachada de vidro, de cerca de 843 m², para onde ela se mudou em 2015. Hoje passa boa parte do ano em Miami e mantém a casa do Joá para as temporadas no Brasil.

Preta Gil Cantora (1974–2025)

A cantora — filha de Gilberto Gil — viveu em uma casa no Joá com vista para a Praia da Joatinga de 2021 até sua morte, em julho de 2025, após uma longa enfermidade. Sua casa no morro foi vendida ainda naquele ano. Ela pertence à história recente do bairro, e a registramos aqui como ela foi: uma moradora que escolheu esta crista silenciosa pela vista da praia lá embaixo.

Outros entram e saem da lista conforme as casas mudam de mãos — o ator Mateus Solano teve aqui uma casa com vista para o mar até vendê-la em 2025 —, mas o padrão se mantém ao longo de uma década de cobertura. O Joá é onde a geração que está no ar na televisão e na música brasileiras escolheu ficar fora das câmeras.

Escolheram o único endereço do Rio onde as câmeras param no portão.

Sobre o apelo do morro

Por que estão todos aqui

A concentração não é um acaso da moda. É produto do formato do bairro. O Joá é minúsculo — menos de dois quilômetros quadrados — e exclusivamente residencial, com menos de mil moradores. Não há lojas em cuja calçada alguém possa ficar à toa, nem torres com vista para os jardins, nem linha de ônibus atravessando o bairro. A maioria das casas fica dentro de condomínios fechados construídos na encosta do Morro da Joatinga, cada um com a sua própria guarita e a sua própria ronda. A floresta do maciço da Tijuca, ao lado, fecha os terrenos por trás; os costões os fecham por baixo. A privacidade aqui é topográfica, gravada na rocha antes de alguém contratar um segurança.

E, no entanto, não é remoto. Essa é a segunda metade do apelo. O Joá fica na costura entre dois mundos — São Conrado e a Zona Sul de um lado, a Barra da Tijuca do outro —, de modo que um morador está a quinze minutos do Leblon pelo túnel e a cinco minutos dos estúdios e das escolas da Barra na direção oposta. Um apresentador de televisão pode gravar na cidade e estar em casa, atrás de dois portões e de uma muralha de árvores, antes de o trânsito engrossar. Para um certo tipo de vida pública, é o compromisso ideal: central o bastante para trabalhar, escondido o bastante para desaparecer.

A Praia da Joatinga vista do ar — um crescente de areia cercado de granito, alcançável a pé na maré baixa.
A praia lá embaixo

Uma enseada que as câmeras não alcançam.

Algumas das casas da crista olham direto para a Praia da Joatinga — a praia escondida a que só se chega a pé, por uma portaria, e apenas na maré baixa. É o bairro em miniatura: bonita, pública de direito e quase impossível de se chegar por acaso.

Leia o guia da praia →

A casa mais cara do país

Se um imóvel passou a representar o teto do Joá, é o de Márcio Garcia. A mansão do ator e apresentador ao pé da Pedra da Gávea — cerca de seis mil metros quadrados, com sete suítes, dezoito banheiros, cinema particular, quadra de tênis e paisagismo à maneira de Burle Marx — foi ao mercado em 2024 com um preço pedido que a imprensa arredondou para um quarto de bilhão de reais, batizando-a prontamente de a casa mais cara já oferecida no Brasil.

Vale ser preciso quanto a isso, porque o número ganhou vida própria. É um preço pedido, não uma venda. Desde então, veículos brasileiros noticiaram que a casa segue sem comprador e que o valor vem sendo abertamente questionado — um deles descreveu o imóvel como avaliado em bem menos de um terço do que se pedia. A manchete diz algo verdadeiro sobre a altitude do Joá e algo falso sobre a sua liquidez: nesse patamar, neste bairro, uma casa vale o que um único comprador estiver disposto a pagar, e eles são pouquíssimos. O preço de anúncio é uma bandeira fincada, não uma transação.

E essa é a nota honesta para encerrar. Os moradores do Joá são reais, e a lista é glamourosa, mas o bairro não é uma vitrine. É uma montanha pequena, silenciosa e coberta de mata que um certo tipo de família carioca decidiu ser o único lugar onde vale a pena estar inalcançável. As casas são extraordinárias. A questão é que você nunca as verá da estrada.

Quanto custa juntar-se a eles — e por que o mercado funciona do jeito que funciona — é assunto à parte. Nós o tratamos em Comprar no Joá.

Fontes.

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Créditos das imagens.

As fotografias são reproduzidas do Wikimedia Commons sob as licenças indicadas. Os fotógrafos mantêm os direitos autorais.

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