Paraty na maré alta — a água entrando devagar pelas ruas do traçado colonial.
Viagem · Fins de Semana

Além do Rio

Cinco lugares a um tanque de gasolina do Rio — a cidade colonial, o parque de diversões de quem pula de praia em praia, a baía das ilhas, o verão do imperador, os pinheiros da serra.

O Rio é uma cidade que, mais do que a maioria, recompensa quem sai. A geografia que dá ao Rio o seu drama — as encostas cobertas de mata atlântica, o longo litoral, a proximidade da Serra do Mar — é também a geografia que guarda, a um tanque de gasolina da cidade, cinco lugares pequenos e muito diferentes entre si, que fazem coisas diferentes muito bem. Uma cidade colonial na Costa Verde que as Nações Unidas preservaram em âmbar. Uma vila de pescadores que os franceses transformaram em balneário. Uma baía salpicada de trezentas e sessenta e cinco ilhas. Uma cidade serrana que o Imperador do Brasil usou como capital de verão. E, a uma distância maior — a ressalva será feita —, uma estação alpina brasileira a trezentos quilômetros dali, no estado vizinho. Um fim de semana prolongado em qualquer um deles é uma visita a um outro país; um fim de semana prolongado em dois é um curso intensivo no entorno em que esta cidade está assentada.

O que segue é um guia dos cinco, com as notas práticas — tempo de estrada, melhor estação, qual cidade emparelhar com a casa — de que você precisa para decidir aonde ir. Um motorista particular saindo da casa é o arranjo padrão para qualquer uma dessas viagens; os preços são modestos para padrões internacionais, os carros são confortáveis (preferimos o Land Cruiser para as estradas sinuosas) e os motoristas conhecem os atalhos que o Google Maps não vê.

Paraty na maré alta — a água entrando devagar pelas ruas do traçado colonial.
Paraty na maré cheia — o traçado colonial se alagando suavemente rua adentro.

I. Paraty — a cidade colonial

Quatro horas a sudoeste do Rio, pela Costa Verde — a "costa verde" de mata atlântica que desce comprimida até o mar — fica Paraty, uma pequena cidade colonial preservada por um conjunto de decretos que, em 1966, interrompeu qualquer construção nova dentro do traçado antigo. Fundada em 1667 como ponto final do Caminho do Ouro, que levava o metal de Minas Gerais até os navios com destino a Lisboa, Paraty foi, por um século e meio, o segundo porto mais importante do Brasil. Depois o ouro acabou, a ferrovia foi para outro lugar e a cidade saiu da economia moderna. Ela está assim, à espera, desde por volta de 1850.

O centro histórico — um traçado de dez por seis quarteirões de casas caiadas, ruas de pedra, quatro igrejas coloniais e nenhuma intrusão moderna — é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2019. As ruas são calçadas com pedras grandes e irregulares (o calçamento pé-de-moleque) e alagam duas vezes por mês, na maré grande — a cidade foi construída para deixar o mar passear pelas ruas e sair de novo, e ele ainda faz isso. Não há carros no centro. Uma pequena frota de charretes ainda percorre as ruas, pelo pitoresco da coisa.

O que fazer. Caminhe pelo traçado. Coma no Banana da Terra, onde o peixe à paratiense da chef Ana Bueno — um peixe branco local cozido em leite de coco e azeite de dendê — é o prato da viagem. Passe um dia no mar — um passeio de escuna pela baía, com paradas para nadar em quatro ou cinco das mais de cem ilhas —, que é o programa icônico de Paraty. Visite um dos cerca de vinte e quatro alambiques de cachaça do Caminho do Ouro; o Engenho D'Ouro e a Pedra Branca oferecem visitas guiadas com degustação. Hospede-se na Casa Turquesa (seis quartos, a melhor pousada da cidade) ou na Pousada Literária (nove quartos, um sobrado de 1875 restaurado, a poucos passos da praça principal). Dois dias inteiros e três noites é a medida certa. Quatro horas de carro em cada trecho — faça a sinuosa estrada litorânea à luz do dia.

A baía de Paraty — centenas de ilhas espalhadas pela Costa Verde.
Paraty no mar

O dia de escuna. Leve o sanduíche.

Uma escuna matinal saindo do pequeno porto de Paraty — o saveiro, um barco de madeira de 40 pés, a vela e motor, com doze cadeiras no convés e uma cozinha de bordo embaixo — faz um circuito de quatro ilhas e paradas para nadar, com almoço de peixe grelhado servido a bordo. A baía é calma, as ilhas ficam próximas umas das outras e a água tem a cor do gim Bombay Sapphire. Use chapéu; o sol aqui é para valer.

II. Búzios — a vila importada

Búzios é uma pequena vila litorânea a duas horas e meia a nordeste do Rio, na Região dos Lagos — a "região dos lagos" do litoral atlântico, onde o cordão de lagoas de água doce corre paralelo à praia. Até 1964, Búzios era um povoado de pescadores com 1.200 habitantes e uma única igreja. Naquele ano, Brigitte Bardot — banida dos jornais franceses durante o divórcio de Gunter Sachs — passou três meses de férias na vila com o então namorado, o jornalista brasileiro Bob Zagury, e a imprensa internacional foi atrás. Bardot partiu; a imprensa ficou; o jet set internacional chegou. Em 1980, Búzios já era a Saint-Tropez brasileira.

A vila hoje tem cerca de 25.000 moradores fixos e mais 100.000 num fim de semana de verão. Organiza-se ao longo de um calçadão costeiro de três quilômetros — a Orla Bardot, batizada em homenagem à mulher que pôs a cidade no mapa — com uma estátua de bronze da atriz sentada no meio do caminho, olhando o mar. Atrás do calçadão, uma malha compacta de restaurantes, bares e butiques; à frente dele, o pequeno porto onde as escunas embarcam para os passeios de praia em praia.

Búzios tem vinte e três praias, cada uma com caráter próprio. A Praia da Azeda, alcançada a pé pelo costão da Praia dos Ossos, é uma pequena enseada de areia clara com uma água de transparência que não se encontra nas praias do Rio — costuma ser chamada de a praia mais bonita do estado do Rio de Janeiro, e não vou discutir. A Praia da Ferradura — uma baía em forma de ferradura — tem uma fileira de beach clubs na areia e é o lugar para um almoço longo. Geribá é a praia do surfe — e a mais jovem, a que vara a noite. João Fernandes é a praia das famílias — uma enseada de declive suave para uma água morna.

A Orla Bardot, em Búzios — o calçadão batizado em homenagem à estrela francesa que tornou o vilarejo famoso.
A Orla Bardot, em Búzios — batizada em homenagem à mulher que tornou a vila de pescadores famosa quando passou três meses ali, em 1964.

O que fazer. Um dia de praia — escolha uma, fique, não saia circulando. Uma escuna ao redor da península para nadar em seis praias numa tarde. Um jantar no Cigalon, o restaurante provençal da Rua das Pedras, com seu longo balcão de madeira e uma carta de vinhos de trinta anos. Uma noite nos bares da Orla depois das dez. Hospede-se no hotel-butique Casas Brancas — vinte quartos numa encosta com vista para a Praia da Armação, a piscina num terraço à beira do declive — ou no Insólito Boutique, na Praia da Ferradura. Duas noites; três é melhor, se puder. Para casais, Búzios é um acréscimo fácil a uma viagem ao Rio; também roteirizamos motoristas pela Região dos Lagos para a opção de excursão de um dia.

III. Angra dos Reis e Ilha Grande

A duas horas e meia a sudoeste do Rio — a primeira metade do trajeto para Paraty — fica Angra dos Reis, uma cidade portuária na Baía da Ilha Grande. A baía em si é o motivo da viagem: 3.500 quilômetros quadrados de água turquesa salpicados por, segundo se divulga, trezentas e sessenta e cinco ilhas, uma para cada dia do ano, a maioria desabitada. O litoral de Angra é o Mediterrâneo brasileiro do Atlântico — mais calmo, mais quente, mais arborizado e costurado pelas residências de fim de semana das elites de São Paulo e do Rio.

Angra, a cidade, é um porto funcional, útil sobretudo como ponto de partida. O destino de verdade é a Ilha Grande, uma ilha extensa e sem carros, a duas horas de barco do continente, famosa, entre outras coisas, pela Praia de Lopes Mendes — um arco de areia de três quilômetros, presença constante nas listas das praias mais bonitas do mundo. Sem hotéis, sem quiosques, sem estrada; uma única trilha, saindo da Vila do Abraão, o principal povoado da ilha, leva até lá, vencida em cerca de noventa minutos de caminhada pela mata. A praia em si é de areia branca e fina como pó, a água de um verde-claro transparente, e — porque o acesso é uma caminhada de noventa minutos — a multidão nunca é grande.

A alternativa à Ilha Grande é uma ilha particular. Várias residências nas ilhas menores estão disponíveis para locação de curta temporada — três dias, quatro dias, uma semana — com equipe, chef e barco para o continente. É isso, no imaginário carioca, que se faz com uma baía de trezentas e sessenta e cinco ilhas. O custo é considerável. O resultado é inesquecível.

O que fazer. Saia de barco ao amanhecer para as praias de banho — Lagoa Azul, Lagoa Verde, a Gruta do Acaiá. Mergulhe; a baía tem visibilidade razoável e uma variedade surpreendente de pequenos naufrágios. Hospede-se no Hotel Sagu Mini Resort ou, num registro mais alto, numa das propriedades de ilha particular. Três noites no mínimo; o deslocamento é longo, o ritmo é lento, e em duas não se recupera o custo da viagem.

Angra dos Reis — trezentas e sessenta e cinco ilhas na Baía da Ilha Grande.
Angra dos Reis — trezentas e sessenta e cinco ilhas na Baía da Ilha Grande, uma para cada dia do ano.

Um fim de semana prolongado em qualquer um deles é uma visita a um outro país.

Sobre o entorno

IV. Petrópolis — o verão do imperador

A uma hora e meia ao norte do Rio, subindo uma sequência de curvas em cotovelo pela Serra dos Órgãos, fica Petrópolis — a cidade serrana do século XIX que o Imperador Dom Pedro II construiu como sua capital de verão, e o refúgio fresco de altitude que, na cultura carioca, ainda funciona como abrigo de fim de semana contra o calor do verão. Petrópolis está a 800 metros acima do nível do mar; a temperatura é, com segurança, dez graus mais baixa que a do Rio, as tardes são frequentemente enevoadas e o ar cheira a pinheiro e eucalipto.

O centro da cidade é um traçado pequeno, para percorrer a pé, organizado em torno do Museu Imperial — o palácio de verão do imperador, um capricho neoclássico de dois andares com os jardins, o parquê e as joias da coroa (literalmente: a própria coroa imperial está em exposição) intactos. O museu é o mais visitado do Brasil e a maneira certa de passar uma manhã. No mesmo traçado: o Palácio de Cristal, um pavilhão de ferro forjado e vidro de 1884, enviado da França e remontado aqui (um presente de Dom Pedro II à filha, a Princesa Isabel); a Casa de Santos Dumont, a excêntrica casa serrana do pioneiro da aviação, projetada com uma única escada que só se sobe de um jeito; e a Catedral de São Pedro de Alcântara, a igreja neogótica onde a família imperial está sepultada.

O Museu Imperial, em Petrópolis — o palácio de verão de Dom Pedro II, preservado.
O Museu Imperial

O verão do imperador, preservado. E aberto.

O palácio de verão de Dom Pedro II — construído entre 1845 e 1864, doado ao Estado brasileiro em 1940, hoje o museu mais visitado do país. Os interiores estão em grande parte intactos: a sala de música, o salão de banquetes, a biblioteca do imperador com os trinta mil volumes que ele leu. A coroa imperial fica numa redoma de vidro no primeiro andar. As visitas guiadas saem de hora em hora; o áudio-guia em inglês é bom.

O que fazer. O Museu Imperial pela manhã; almoço no Locanda della Mimosa, o restaurante italiano na antiga estrada de entrada da cidade que é, por consenso, a melhor cozinha da serra; a tarde no Palácio de Cristal e uma caminhada pelos jardins botânicos do Horto. Jantar de volta ao hotel ou no Cremerie Geneve, um restaurante-chalé suíço-brasileiro na praça principal. Hospede-se no Solar do Império (antiga residência imperial, hoje um hotel de dezoito quartos com spa) ou na Pousada Monte Imperial, opção menor e mais serena. Uma noite basta; duas noites são generosas. Emparelhe com uma manhã no Rio na ida ou na volta.

O Palácio de Cristal — ferro forjado e vidro trazidos da França, montados na serra.
O Palácio de Cristal, em Petrópolis — ferro forjado e vidro, enviados da França em 1884, montados na serra.

V. Campos do Jordão — a digressão alpina

Primeiro, a ressalva. Campos do Jordão não fica no estado do Rio de Janeiro. Fica na Serra da Mantiqueira, no estado de São Paulo, a 300 quilômetros do Rio pela rota mais direta — de cinco horas e meia a seis horas de carro pelo Vale do Paraíba. É, sem discussão, a estação de montanha mais charmosa do Brasil, e merece uma entrada própria neste jornal. Mas não é uma viagem de fim de semana a partir do Rio — o deslocamento é longo demais —, e o visitante do Rio que for a Campos do Jordão deve combiná-la com uma temporada em São Paulo ou planejá-la como uma digressão de cinco dias.

Por que ir, afinal. Campos do Jordão é uma cidade alpina brasileira — 1.700 metros acima do nível do mar, temperatura no inverno (de julho a agosto) caindo a perto de zero, uma geada de verdade na grama em algumas manhãs, florestas de pinheiros, uma arquitetura de chalé e fondue que é, sim, um pouco Suíça de parque temático, mas também um pouco genuinamente agradável. A cidade se organiza em torno da Vila Capivari — um vilarejo de pedestres com restaurantes, chocolaterias e uma praça principal com um pequeno lago. Na alta temporada de inverno — julho —, o Festival de Inverno traz a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo à cidade para um mês de concertos no Auditório Claudio Santoro. É, nesse mês, um dos endereços mais chiques do país.

Vila Capivari, Campos do Jordão — a Suíça como imaginada da Serra da Mantiqueira.
Vila Capivari, Campos do Jordão — a Suíça como imaginada da Serra da Mantiqueira.

O que fazer. Caminhe pela Vila Capivari. Suba no Bondinho do Capivari — o pequeno teleférico que vai da praça principal ao alto do Morro do Elefante. Dirija a curta distância até o Horto Florestal, uma reserva florestal de araucárias (o pinheiro brasileiro, um gigante de duzentos anos) com trilhas de ambições variadas. Coma fondue — o prato de inverno não oficial da cidade — no restaurante da cervejaria Baden-Baden, na Rua Djalma Forjaz, uma taverna de estilo bávaro com personalidade de sobra. No inverno, assista a um concerto do festival. Hospede-se no Hotel Frontenac (membro da Relais & Châteaux, trinta e sete quartos, a grande dama da cidade) ou no Vila Inglesa (mais antigo, mais intimista). Duas noites bastam; três são uma indulgência.

Para o visitante do Rio que quer o mesmo clima de cidade de montanha sem as seis horas de estrada, a resposta é Petrópolis. Campos do Jordão fica para a segunda ou terceira viagem ao Brasil.

VI. Como decidir entre eles

Se você tem apenas um fim de semana fora do Rio, meu ranking: Paraty primeiro, se quiser história colonial, um dia no mar e os alambiques de cachaça. Búzios primeiro, se quiser dias de praia e uma noite mais animada e já tiver feito as praias do Rio. Angra e Ilha Grande, se estiver viajando com um grupo disposto a absorver o trajeto mais longo em troca da recompensa de uma ilha particular ou de uma praia genuinamente intocada. Petrópolis, se o tempo for curto — uma noite, dois dias, o mais próximo de todos e o par mais fácil com uma semana no Rio. Campos do Jordão apenas se puder combinar com São Paulo ou dedicar cinco dias.

Para casais com uma semana no Rio e um fim de semana a acrescentar: Rio de quinta a domingo, Paraty ou Búzios do domingo à tarde até quarta, de volta ao Rio na noite de quarta para um último jantar e um nascer do sol no Pão de Açúcar na manhã de quinta, antes do voo. Já rodamos esse roteiro com casais suficientes para que a agenda de motoristas, barcos, hotéis e concierges seja, a esta altura, um caminho bem batido.

Campos do Jordão na altitude — pinheiros, neblina e o silêncio da Serra.
Campos do Jordão no inverno — neblina, pinheiros e o silêncio da Serra da Mantiqueira.

VII. Um bate-volta mais curto

Uma última opção — pulada com frequência demais — não é um fim de semana fora, mas um passeio longo de um dia a partir da casa, de volta a tempo do jantar. Três deles funcionam com confiabilidade.

Nova Friburgo e Teresópolis, no mesmo maciço da Serra dos Órgãos de Petrópolis, oferecem um dia de trilhas na mata (a travessia Teresópolis–Petrópolis é a caminhada clássica de mata atlântica no Brasil, embora seja uma trilha séria); vilarejos serranos de descendência alemã; e a volta ao Rio a tempo de um jantar tardio.

Restinga da Marambaia — uma longa faixa de areia na Costa Verde, reserva natural sob controle da Escola Naval, com uma única praia aberta mediante autorização — é um passeio de barco de meio dia a partir de Angra ou uma combinação de carro e barco de dia inteiro a partir do Rio. Um dos trechos genuinamente bonitos menos visitados do estado.

Cabo Frio e Arraial do Cabo — duas cidades de praia pouco antes de Búzios — estão a duas horas em cada trecho. Arraial do Cabo tem a água costeira mais transparente do Brasil; um dia de escuna ali rivaliza com qualquer coisa do sul do Caribe.

O Rio é uma cidade que recompensa quem fica, e recompensa quem sai. As vinte e quatro horas numa escuna em Paraty, o almoço longo na Praia da Ferradura em Búzios, a tarde de neblina em Petrópolis diante da escrivaninha de Dom Pedro II — cada um deles muda a cara que o Rio tem quando você volta. A semana que você passa na cidade é o primeiro capítulo. O fim de semana que você passa fora dela é o capítulo que dá contexto ao primeiro.

Créditos das imagens.

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